
Fatos Marcantes na Biografia do Padre Ydecy
Uma trajetória vocacional marcada pela fé, desafios e gratidão.
Sou o Padre Ydecy Ferreira Santos. Nasci no distrito de Caio Martins, apelidado de Bambus, no município de Esmeraldas (MG). Sou o quarto filho de Corvino Ferreira Santos, falecido em 2016 aos 93 anos, e de Elena Maria dos Santos, que atualmente tem 91 anos.
Para resumir minha história, divido esta partilha em quatro fases: primeira infância, adolescência, juventude e pós-ordenação.
Primeira Infância – Esmeraldas
Duas situações marcaram minha infância e permanecem vivas até hoje.
A primeira delas é meu nome começar com a letra Y. Em todas as listagens escolares ou documentos, nunca encontrei alguém com nome posterior ao meu — sempre fui o último.
A segunda é o fato de eu ter nascido em maio, quando, segundo minha mãe, era para eu ter nascido em abril. Naquela época, a matrícula escolar exigia que a criança tivesse completado 7 anos até 30 de abril. Por isso, fui matriculado um ano depois. Isso gerou em mim um sentimento de culpa e cobrança. Antes mesmo de entrar na escola, decidi que precisava “recuperar o ano perdido” e, por isso, me esforcei para aprender a ler e escrever antes do tempo.
Adolescência – Divinópolis
Ao chegar em Divinópolis, enfrentei dificuldades para conseguir emprego e vaga em escolas. Não tinha experiência nem conhecia ninguém. Foi um período muito difícil e solitário, mas também formativo.
Juventude – Divinópolis
No último dia de inscrições, fiz minha Crisma. Foi uma fase de descobertas e vivências profundas com os crismandos e catequistas.
Logo após, entrei no grupo de jovens do Bairro Porto Velho, onde morava. Foram momentos intensos: não perdia reuniões, missas ou visitas a outros grupos de jovens da cidade e região. Participei do RETOLOCO, um aprofundamento para quem havia feito o TLC — um encontro marcante, realizado na atual sede da Cúria Diocesana.
Fui um jovem alegre, espontâneo e radical, com forte desejo de seguir a vida religiosa. Aos 23 anos, entrei no Mosteiro Trapista, no Paraná, onde permaneci por 4 anos. Ao retornar para Divinópolis, enfrentei tempos de dor, confusão e desamparo emocional.
Poucos anos depois, vivi uma dor profunda: a morte do meu irmão caçula, Iderly, que abalou profundamente a mim e aos meus pais.
Na época, mergulhei no trabalho: manhã, tarde e noite — era professor ou aluno. Meus irmãos se casaram, e fiquei sozinho com meus pais, enfrentando dificuldades.
Sete anos após a perda do meu irmão, entrei para o Seminário, fazendo parte da primeira turma do Propedêutico, instalado onde hoje está a Rádio Divinópolis, na Cúria. Ali começou um novo tempo.
Vida Pastoral e Ordenação
O curso de Teologia na PUC-Minas foi uma bênção. Aprofundei-me na vida pastoral, atuando em Divinópolis, Juatuba, no bairro Padre Eustáquio (em Itaúna) e em Nova Serrana.
Fui ordenado diácono em 30 de julho de 2000, em Conceição do Pará, ao lado do querido amigo Padre Elisvaldo. Em janeiro de 2000, cheguei a Nova Serrana, acolhido com muito carinho pelas pastorais, movimentos, padres e pela comunidade.
No dia 9 de dezembro de 2000, na Catedral, fui ordenado padre — uma celebração simples, cercada por amigos, seminaristas, familiares e leigos. Permaneci em Nova Serrana, aprofundando minha missão.
A celebração de ação de graças foi no mesmo dia, em 9 de dezembro de 2003. No mês seguinte, iniciei minha missão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Divinópolis, permanecendo até janeiro de 2004.
Em março de 2006, iniciei trabalhos pastorais na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Carmo do Cajuru. Cheguei abalado, mas fui reerguido pelo carinho do povo.
Em janeiro de 2009, cheguei a Pará de Minas, na Paróquia São Francisco, onde fiquei por nove anos — um tempo de muitas bênçãos.
Às vésperas da Semana Santa de 2018, fui para a Paróquia Senhor Bom Jesus, onde permaneci por cerca de 1 ano e meio.
Nova Serrana e o Jubileu de Prata
Em julho de 2020, fui transferido para a Paróquia Nossa Senhora da Guia. Lembro com carinho do Padre Maia, que me entregou a chave da casa paroquial e disse:
“A casa é sua. Pode entrar como e quando quiser.”
Essa foi a primeira acolhida calorosa, que se repetiu com a comunidade e que vivo até hoje.
Mesmo durante a pandemia, encontrei apoio, afeto e amizade. Uma faixa me recebeu na porta da igreja:
“A Matriz o recebe com muito carinho e alegria.”
Participei da Escola Diaconal Santo Estêvão da Diocese, onde colaborei com a formação de novos diáconos e suas esposas.
Depois, com a transferência do Padre Maia, chegou o Padre Rodrigo Botelho — que vi entrar no seminário e crescer na caminhada. Trabalhar ao lado dele tem sido uma bênção: sempre recebi atenção, respeito, diálogo e espírito fraterno.
Gratidão e Esperança
Hoje, ao me preparar para o Jubileu de Prata, o coração se enche de gratidão.
Nem acredito que estou vivendo esse momento. Nem acredito que minha mãe participará da celebração. Nem acredito que celebrarei esse jubileu na Paróquia Nossa Senhora da Guia, onde me sinto tão feliz e acolhido pelas comunidades: Matriz, Santa Luzia, São João Batista e Santa Catarina de Sena.
Já vivi dias tumultuados. Hoje, preparo um jubileu de paz e sossego.
Olho para trás, e só um sentimento toma conta de mim: gratidão.
Como no dia da ordenação, repito:
“Desejo que os dias que me esperam sejam luminosos.”
“Eis-me aqui, Senhor, para te servir.“






